04 mar 2014

Colaboração

Ernesto Lippmann é autor do livro “Testamento Vital, o direito à dignidade”. Advogado pós- graduado pela USP e membro da comissão de bioética da OAB-SP. Atua nas área civil, com ênfase em responsabilidade civil do médico. Nas horas vagas é um pato migrante. Gosta de viajar e dar dicas sobre lugares diferentes, baratos e mostrar que o prazer de viajar é possível para todos, mesmo para quem não tem tanto dinheiro. Como escritor, gosta de divulgar os direitos que as pessoas não conhecem. Também participa de um grupo que se dedica a observação de aves. Em um futuro próximo, pretende retomar suas aulas de aviação e ver se finalmente consegue tirar o brevê.

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Testamento Vital e o direito à dignidade
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Imagem destaque: Santiago Cortez, Flickr Commons.

Por Ernesto Lippmann

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Testamento Vital é o instrumento em que você indica como deseja ser tratado se estiver em uma situação de doença grave ou inconsciente. Algumas doenças como o AVC (“derrame”) surgem sem aviso. Ninguém está livre de um assalto ou acidente grave de trânsito. A consequencia: uma internação prolongada em uma UTI, que pode consumir o patrimônio de uma família. E, em muitos casos, resultam num paciente que recebe alta do hospital, mas necessita de cuidados 24 horas por dia, com alguma incapacidade grave ou doença incurável. Quem deseja uma vida assim?

Cama de hospital. Carlos Teju. Flickr Commons.

O testamento vital serve para que você decida o seu fim e garanta a sua dignidade.  Através desse documento, você mostra como deseja ser cuidado e opta por limitar o seu tratamento, se ficar claro que não há cura, ou que haverá sequelas permanentes, pois é seu direito recusar os esforços da equipe médica e manter a vida a qualquer preço. Deve ser lembrado que a eutanásia, ou seja, a interrupção induzida da vida, é vetada por lei, ainda que seja desejada pelo paciente. Assim, é importante conhecermos este direito, garantido pela Resolução 1985 do Conselho Federal de Medicina, e que pode ser exercido de forma simples e gratuita.

O documento deve ser seguido pela equipe médica, (o que também é fundamental para preservar a harmonia da família), pois são frequentes as situações em que no final da vida, há conflitos entre os filhos sobre como deve ser o tratamento do familiar. Quando o interessado toma esta definição, a família terá clareza no caminho que é desejado pelo seu ente querido. O testamento vital também é aplicado nos casos de doenças graves e incuráveis como o câncer, onde os médicos devem respeitar a decisão dos pacientes terminais, no intuito de evitar tratamentos dolorosos, quando dizem: “não quero nada de maneira sofrida!”.

Algumas dicas para que seja eficaz:

– O testamento vital deve ser feito por escrito, assinado, e presenciado por 2 testemunhas. O pedido de recusa de tratamentos, ou que sejam feitos todos os esforços para preservar a vida devem ser claros.

– Deve ser nomeado um procurador de cuidados de saúde, que irá fazer valer o testamento vital perante a equipe médica.

– Nos casos de doenças graves, uma conversa com o médico é fundamental.

 

 

Ernesto Lippmann é autor do livro “Testamento Vital, o direito à dignidade”. Advogado pós- graduado pela USP e membro da comissão de bioética da OAB-SP. Atua nas áreas civil e médica. Nas horas vagas é um pato migrante.  Gosta de viajar e de dar dicas sobre lugares diferentes, baratos e mostrar que o prazer de viajar é possivel para todos, mesmo para quem não tem tanto dinheiro. Como escritor, gosta de divulgar os direitos que as pessoas não conhecem. Também participa de um grupo que se dedica a observação de aves. Em um futuro próximo, pretende retomar as aulas de aviação e ver se finalmente consegue tirar o brevê.

Licença Creative Commons
O trabalho Testamento Vital: o direito à dignidade de Ernesto Lippmann está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em www.autopsiareview.org.
Podem estar disponíveis autorizações adicionais às concedidas no âmbito desta licença em www.autopsiareview.org.

 

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