“Ao mundo que está em processo de remodelagem de negócios – consumidor, produto e valores. Ao risco, ingrediente fundamental da inovação. Ao velho, ao novo e ao intangível. Ao pretérito imperfeito, à morte do mais-que-perfeito e ao futuro de presente. Às memórias póstumas em Paper Li. Ao fóssil da estrutura. Ao consumidor produtor. Aos modelos mentais enterrados e aos que estão em transformação. À forma que a forma pode ter. Ao contemporâneo século XXI por abrigar o contexto e amarrar a mensagem.

 

 

Editorial

 Mayra Matuck – editora do site

“De pouco vale a evolução da neurociência se ela não puder ser transmitida para a sociedade de uma forma que gere saúde”- essa frase do médico do Hospital do Servidor Público, Maurílio Azzi, no World Congress On Brain, Behaviour and Emotions, resume os paradigmas da área da saúde. Uma produção mais consistente pode surgir da “neurotransmissão” entre ciência, saúde e sociedade. É desafiador equilibrar a abrangência dessa proposta, sem torná-la ainda mais complexa.

O cérebro é órgão humano e, ao mesmo tempo, objeto que interliga vários estudos no campo científico. É isso o que a neurociência está trazendo à tona. Indagações sobre como melhor entender e usar esses tópicos integrados são questões colocadas há anos por biólogos, jornalistas, pesquisadores, acadêmicos, publicitários, médicos, psicólogos, curiosos e uma gama de profissionais das mais diversas áreas, mobilizados em torno desse contexto. 

Gradualmente são feitas descobertas, questionamentos e revelações. A diversidade e a integração de vários conhecimentos parece ser o pré-requisito da neurociência para produzir um novo capital humano, social,  existencial, tecnológico e científico. 

A riqueza de assuntos que giram em torno da ciência, mais do que nunca, estão na pluralidade e competência de profissionais envolvidos. Isso é cenário para unificar conceitos, equilibrar a linguagem e explorar o potencial da divulgação científica, sem ofuscá-la pela sua complexidade e  dosar a informação sem sombras e sem excessos.

Possibilidades para que se explore potencialmente a divulgação científica não faltam, mas há uma faceta: como fazer divulgação científica, trazer novas informações sem que a restrição seja um problema? A proposta de divulgação precisa atingir a mente pública – isso implica em um maior número de pessoas.

Somente o campo neurocientífico engloba estudos de neurobiologia, neuroquímica, neuro-histologia, neuroanatomia, neuro-farmacologia, neuropsicologia, neurolinguística, neuropatologia, neurologia clínica, psiquiatria, neuroendocrinologia, neurocirurgia e neurociência computacional. Essas denominações precisam comunicar aos outros e entre si sem os “academicismos”. Embora intrigante e fértil, assuntos científicos ainda são voltados para um número baixo de pessoas. O cientista brasileiro Miguel Nicolelis, por exemplo, ficou conhecido somente após sua participação no programa Fantástico, da Rede Globo. A partir daí, pessoas passaram a dar atenção a um código populacional de neurônios capazes de determinar a capacidade de pensar pelo ângulo da neurociência computacional. Em paralelo, outros profissionais competentes (e menos apelativos na sua forma de popularizar sua pesquisa) e menos famosos, mergulham em infinitos campos de pesquisa para desvendar a cura de doenças, segredos sobre o corpo humano, a mente, etc. Mas são estudos que ainda permanecem na linha tênue voltada para a tribo que faz parte dela e não para o interesse público da sociedade.

O objetivo em produzir textos que transcodifiquem temas da ciência exige técnica de estudo e preparo na busca por mais conhecimento no assunto. A técnica (ou forma) de divulgação cria um ajuste entre terminologias acessíveis e o que é essencial a ser transmitido. Instrumentaliza linhas de abordagem, amplia o uso, extrai um potencial e mantêm a linguagem como um eixo central de clareza e precisão tanto para profissionais comprometidos com divulgação científica quanto para o público leigo. A ciência possui um papel de transformação – promove sinapses, problematiza, cria envolvimento, integra e rompe concepções. A fórmula pronta é inexistente. O que é aparentemente díspare pode ser essencialmente complementar caso a comunicação usada para isso consiga, assim como o cérebro, gerar estímulos, ser uma “neurotransmissora” de informações e conexões. Mobilizar público, abusar das facilidades da internet, campanhas, produção de materiais, são alguns dos possíveis diferentes meios de propagação, criação de propostas, seja isso de conteúdo editorial ou não. A linguagem precisa facilitar a apreensão do conhecimento, estimular a curiosidade e a reflexão.

Se a ciência ficar restrita e definida em sua tribo não haverá emancipação. A neurociência (união de várias ciências) estuda toda a estrutura do sistema nervoso, ou seja, estuda o ser humano por inteiro, dos pés ao último fio de cabelo em toda a sua complexidade fisiológica e psíquica. É portanto um excelente ponto de partida para desmembrar questões da sociedade na qual estamos inseridos e inová-la no que for necessário. Creio que seja um bom motivo para aumentar a qualidade da divulgação científica brasileira e buscar novos patamares de saúde e bem-estar. Caso contrário, estaríamos dispensando mentes, potencial e recursos.

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“A ciência nunca resolve um problema sem criar pelo menos 10 outros” 
George Bernard Shaw

 

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Visão global

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O desenho The Jetson’s falava de como seria o futuro: falaríamos uns com os outros através de telas de computador e televisão, tecnologia avançada dentro de casa com funcionária doméstica robô, eletrodomésticos cheios de truques, casas em cápsulas e carros voadores.

A primeira série foi transmitida em 1962 e houve uma reedição em 1984. O cenário desse desenho impregnou no inconsciente coletivo sobre assuntos futurísticos, que estavam até então, bem longe de nós. Estamos em 2014 e nos relacionando boa parte do tempo através de telas de computador, celular, tv e tablets. Já foi inventada uma super banheira que pode preparar o banho enquanto o indivíduo está na rua (embora o preço não tenha se popularizado ainda), as casas em cápsulas podem ser mais usuais no Japão, mas em outros países podem ser entendidas como os ambientes de cocriação repleto de start-ups, profissionais criativos e nichos de empreendedorismo sendo explorados.

Os problemas de trânsito ainda não podem ser resolvidos com carros voadores, mas não dá para dizer que estes não existam: http://www.youtube.com/watch?v=JWh2qT9yiTo – Volkswagen People´s Car Project, Hover Car, the flying two-seater. Nos painéis da Pinterest (rede social de entretenimento), Na diversidade de publicações da rede social Pinterest, por exemplo, há até uma que ensina como planejar um funeral. Talvez não falte pouco para irmos à Lua com a CVC! Além de plataformas tecnológicas, esses sites são plataformas de comportamento e fazem parte de uma mudança global de questões pessoais aliadas às tecnologias. Teoria e prática estão mais próximos e o mundo pode ficar mais divertido e melhor explorado, o que nos coloca diante de uma revolução de significados e sentido.

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Qual leitor é você?

Leitor interessado: deseja informações gerais sobre os eventos culturais. Dicas sobre teatro, cinema e compras. Precisa de informações breves de modo globalizado. São leitores heterogêneos, com formação mediana ou até mais sofisticada.

Leitor participante: um sujeito que participa do mundo através da leitura e debates políticos. Independentemente de sua ideologia, interessa-se por artigos que estimulem sua reflexão a respeito de temas gerais. Possui interesses específicos, mas quer se conectar a acontecimentos abrangentes e problemas da atualidade. Não teme ser surpreendido e nem contrariado.

Leitor especializado: procura uma publicação que seja do seu interesse mais forte, seja isso a poesia, a filosofia, artes plásticas, a moda, a política, etc. A linguagem depende da ambição editorial das revistas, que pode ser mais fechada ou aberta.

 

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Diferenças entre o jornalista e o pesquisador científico

Assuntos X Tema

Pauta X Hipóteses

Entrevistas e leituras X Coleta de dados

Hierarquia de informações X Priorização de dados

Escreve a matéria X Prepara o laudo

Temperos: ineditismo, utilidade,, apelo, empatia, proeminência, oportunidade, senso crítico, visão pluralista, precisão, criatividade, enfoque inovador, elegância e respeito ao leitor.

Armadilhas: linguagem, distanciamento, biologização (não reduzir tudo a um grupo de células) e extremismo.

A abordagem desse box foi apresentada pela jornalista e psicanalista Gláucia Leal, editora da revista “Mente e Cérebro”.