14 jul 2016

Colaboração

Autópsia Review é um projeto editorial voltado para a divulgação científica nos temas da Ciência, Sociedade e ArTe. Participa a sociedade não especializada com suas percepções sobre esses três temas. Reúne conteúdos diversos, incluindo os especializados. Autópsia Review aposta na redação em crowdsourcing e conta com o apoio de pessoas interessadas em Ciência, Sociedade e ArTe em seu modelo colaborativo para produzir conteúdo.

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O orgasmo das amêndoas
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Imagem: Wayne C. Drevets, Centro Médico da Universidade de Petersburgo. Fonte: Mente e Cérebro, setembro de 2013

A médica especialista em Fisiologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Cibele Fabichak esclarece que durante o orgasmo, uma parte da amígdala é desativada. “Exatamente a região geradora de ansiedade e medo”, ressalta.

O orgasmo também libera uma proteína chamada oxitocina, também conhecida como o ‘hormônio do amor e da confiança’ que estimula o sistema límbico e interfere na ansiedade de forma positiva. Isso também regula a liberação de dopamina, que gera a sensação de prazer.

As amêndoas e o mundo do hiperestímulo

“Diante das imensas possibilidades que existe num ser humano, ele quer todas. Quando isso é ainda mais visceral, quando falta o básico, quando falta afeto, comida, conforto, piora em dobro” Carla Tieppo

 

Sintomas de amêndoas comprometidas

> Diminuição e dificuldade em reconhecer expressões faciais.
> Dificuldade em estabelecer julgamentos sociais.
> Falta de empatia.
> Incapacidade de manter atenção pelo olhar e na informação transmitida por ele.

O organismo não adaptado pratica um processo de autodestruição. Vivemos em um mundo de hiperestímulo, mas desagregado. Tal contexto, torna propício uma exacerbação da função do complexo amigdaloide. “Corre-se o risco comum na neurociência em acreditar que num determinado dia o sistema de serotonina esgota-se. Daí ocorre a depressão, por exemplo. Isso é uma bobagem: não existe o dia em que o sistema dopaminérgico falha! O sistema de serotonina esgota porque a vida não está boa, porque o prazer não está ocorrendo, porque não há afeto e porque falta um monte de coisas que estimulam a liberação dessa substância. E, que com o tempo, começam a fazer falta. Aí então uma pessoa começa a ter sintomas de depressão”, evidencia Tieppo, neurocientista da Santa Casa.

Na depressão há um aumento de atividade no sistema límbico e a estrutura das amígdalas fica mais alterada. A psiquiatra Marisa Nieri, da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), estudiosa da psiquiatria infantil, ressalta que o sistema nervoso se desenvolve na interação com o outro (e que a química cerebral pode ser alterada por estímulos externos): “O modo como o sistema nervoso amadurece é muito pessoal (e multifatorial), está na relação com o cuidador inicial (geralmente a mãe, e para muitos, uma babá), como ressoam as ações do bebê e como são conduzidas as respostas. Se chorei, como fui cuidado? Se fiquei quieto, o que foi feito? Se fiz birra, como fui tratado? De qualquer modo, é fundamental a capacidade de gerar um vínculo social, algo dificultado por um cuidador ausente, por exemplo”.

Fonte: http://autopsiareview.org/amigdala-o-ponto-g-do-cerebro/

 

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