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Ler um livro é quase como ver um filme…
11 jan 2015

Colaboração

João Luiz Marques é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, cursou Filosofia na USP, extensão universitária em Jornalismo Cultural na PUC-SP e Jornalismo Literário no Sindicato dos Jornalistas. Trabalha com assessoria de imprensa para editoras de livros e mantém o blog do Le-Heitor, de incentivo à leitura. Heitor é o personagem que escreve nesse blog, seu heterônimo é um menino de 12 anos que gosta de ler e de contar histórias.

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Imagem: do link http://filmesegames.com.br/2014/georges-melies-o-comeco-de-tudo-pop-cine/

Por menino Heitor (*)

G

eorge Méliès nasceu no dia 8 de dezembro de 1861 e morreu no dia 21 de janeiro de 1938. Ele foi um ilusionista (ou mágico) francês. Fez muito sucesso como mágico e foi um dos precursores do cinema. Ele usava efeitos fotográficos para criar mundos fantásticos. Méliès é considerado o “pai dos efeitos especiais”, fez mais de 500 filmes e construiu o primeiro estúdio  cinematográfico da Europa. Também foi o primeiro cineasta a usar desenhos para projetar suas cenas. E o que esse francês tem a ver com o post de hoje?

Ele é um dos personagens do livro que eu acabei de ler. A invenção de Hugo Cabret, de Brian Selznick, da Editora SM, que eu peguei emprestado da biblioteca. Foi a história de Méliès que inspirou o autor a fazer esse livro. Ele usou um personagem de verdade para inventar uma história. A invenção de Hugo Cabret é um livro diferente de todos os livros que eu li até hoje. O livro tem 534 páginas e pelas contas do autor, cento e cinquenta e oito ilustrações diferentes, e vinte e seis mil cento e cinquenta e nove palavras. Mas ele não é diferente pelo número de páginas, pela quantidade de ilustrações, ou por ter tantas palavras. Ele é diferente pelo jeito como o autor colocou as ilustrações no livro, para ajudar a contar a história.

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As ilustrações dos livros sempre mostram um momento da história, como se fosse um retrato. Nesse livro é diferente, as ilustrações mostram uma cena inteira, como se fosse um filme. O texto começa a contar uma cena da história e os desenhos continuam a contar esta cena. Quase todas as ilustrações ocupam duas páginas, são em preto e branco e muito bonitas. Quando peguei o livro na biblioteca, fiquei assustado, o livro é muito grosso, achei que não ia conseguir ler.  Mas que nada, li rapidinho e viajei na história do Hugo Cabret e nos desenhos do livro. Os desenhos também foram feitos pelo autor.

A história se passa nos anos de 1930 na cidade de Paris. Hugo Cabret é o protagonista. Ele é um menino de 12 anos e vive sozinho em uma estação ferroviária. O pai de Hugo morreu em um incêndio. Ele era relojoeiro e trabalhava cuidando dos relógios de um velho Museu. Um dia seu pai chega em casa trazendo um homem feito de “peças de relógios e delicados mecanismos”, que ele encontrou perdido no sótão do museu. Era um autômato, ficava sentado numa escrivaninha e trazia uma pena na mão. Como esses brinquedos antigos, era movido por corda, mas estava quebrado, porém, se fosse consertado poderia escrever ou desenhar.

O pai do Hugo queria muito consertar o autômato. Ele abriu a máquina e desmontou cuidadosamente, fez desenhos detalhados de todas as suas partes em cadernos, limpou as peças e montou novamente. No aniversário de Hugo, como era costume, o pai o levou ao cinema. Seu pai gostava muito de cinema, e sempre lhe contava um filme que assistiu quando criança, dizia que tinha sido o seu primeiro filme: Uma viagem à lua, de Georges Méliès. Nesse dia o pai também lhe deu de presente um de seus cadernos, com os desenhos das peças do autômato. O pai não conseguiu consertar o autômato, um incêndio no museu o matou, e fazer essa máquina funcionar virou uma obsessão na vida de Hugo.

Dizem que os autômatos existiram de verdade. Eles foram construídos por mágicos, que tinham conhecimentos de mecânica. Serviam para “surpreender as platéias”. Ninguém imaginava como aqueles bonecos misteriosos dançavam, escreviam, desenhavam ou cantavam. Já ouvi falar que hoje ainda existem alguns inteirinhos, feitos naquele tempo, que desenham e até escrevem poesia.

Hugo morava sozinho na estação ferroviária, e, após a morte de seu pai, ele foi viver com o tio, que cuidava dos relógios daquela estação. O tio bebia muito e um dia sumiu. Hugo ficou sozinho. O inspetor da estação não podia saber que o seu tio não estava mais por lá e Hugo continuou a cuidar dos relógios, para o inspetor não desconfiar e descobrir o seu segredo.

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Cena do filme: A Invenção de Hugo Cabret

Na estação havia uma loja de brinquedos. Hugo costumava roubar alguns brinquedos dessa loja. Usava suas peças para substituir as peças quebradas do autômato. Um dia o dono da loja o pegou, fez devolver um brinquedo de corda que ele havia roubado e lhe tomou o caderno, presente do pai. O dono da loja queria saber por que o menino queria tanto aquele caderno. Hugo não contava, era o seu segredo. Mas o dono da loja também tinha um segredo. Hugo conheceu a sobrinha do dono da loja, uma menina um pouco maior do que ele, e eles ficaram amigos, mas esse é só o começo dessa história.

 

* Menino Heitor
São Paulo, SP
VIA: Blog do Le-Heitor

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João Luiz Marques é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, cursou Filosofia na USP, extensão universitária em Jornalismo Cultural na PUC-SP e Jornalismo Literário no Sindicato dos Jornalistas. Trabalha com assessoria de imprensa para editoras de livros e mantém o blog do Le-Heitor, de incentivo à leitura.  Heitor é o personagem que escreve nesse blog, seu heterônimo é um menino de 12 anos que gosta de ler e de contar histórias.

Licença Creative Commons
O trabalho Ler um livro é quase como ver um filme… deJoão Luiz Marques está licenciado com uma LicençaCreative Commons – Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em Blog do Le-Heitor.
Podem estar disponíveis autorizações adicionais às concedidas no âmbito desta licença em creative comuns – compartilhamento da mesma forma.

 

 

2 Comments
2 Comments
  1. Assisti o filme e achei emocionante. A busca de Hugo e sua persistência em terminar o trabalho que o pai havia começado. A amizade que se estabelece entre ele e a sobrinha do dono da loja de brinquedos. A revolta deste senhor que teve seus sonhos de cineasta interrompido. A história é realmente comovente e ler o livro deve ser emocionante. Recomendo um ou outro ou os dois: ver o filme e ler o livro.

    • Ler o livro, eu diria, me é mais emocionante. Quando coloco toda minha atenção no que leio, imagens formam-se em meus pensamentos, tentando dar colorido às palavras que correm pelos caminhos que as memórias se formaram em meu cérebro. A mistura do que leio com o que já vivi se faz e surge então um filme com roteiro baseado no livro, mas imagens que me são únicas. Sou uma espectadora ativa, participando da criação estabelecida a partir do autor do livro. O livro enriquece, pois será único para cada leitor.
      O filme não perde seu encanto, mas ele flui através da leitura que o diretor faz do livro, de sua criatividade e sensibilidade; nos encanta também e emociona, mas ainda prefiro ler e depois assistir.

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